A Incapacidade de ficar sozinho é o grande problema de algumas pessoas. E não me refiro apenas a ficar sozinho no campo afetivo amoroso. Alguns sofrem pela incapacidade de estar só em qualquer contexto. Necessitam de outros para lhe fazer companhia, obter conforto, confiança, segurança e apoio. Não ter alguém é tão assustador que preferem a condição de estar mal acompanhados do que sós. 


Este padrão de comportamento deriva de uma percepção de si mesmo como alguém incompleto e incapaz que necessita do outro para funcionar adequadamente. 

Geralmente, pessoas com essa personalidade transformam coisas corriqueiras em grandes dilemas, como por exemplo comprar ou não uma roupa, dar um telefonema, se portar dessa ou daquela maneira. Não há uma confiança em si sem a chancela do outro. Embora mesmo com a chancela, a insegurança também não termina. É algo inerente.


As pessoas com personalidade dependente sofrem constantemente e vive intermináveis diálogos internos desconfiados da sua percepção e punindo-se severamente caso algo saia errado. A incapacidade em funcionarem sozinhos é tão grande que preferem concordar com algo que vai contra seus princípios a tomarem decisões ou correr o risco de perder o vínculo com a pessoa da qual se depende. 


Uma necessidade escravizante fruto de uma autoestima desestruturada, que frequentemente resulta em relações desequilibradas e doentias.  Em grau mais avançado, esse comportamento pode estar ligado ao Transtorno de Personalidade Dependente. As características essenciais desse transtorno são: 

– Dependência excessiva do outro;  – Dificuldade em expressar discordância; – Comportamento submisso beirando a servidão por medo de ser abandonado;  – Solicitação constante de aconselhamento; – Dificuldade em iniciar projetos ou fazer coisas por conta própria (não por falta de motivação, mas por medo); – Dificuldade em enfrentar situações de conflito;  – Sequenciais relacionamentos afetivos;  – Vai ao extremo para receber carinho a ponto de submeter-se a fazer algo desagradável; – Necessidade excessiva de ser cuidado; – Medo irreal de ficar “sozinho na vida”.


Indivíduos com Transtorno Dependente não têm autonomia emocional, tampouco vivem sozinhos. Na iminência de serem abandonados, lutam até o limite do absurdo para não perderem seu ponto de apoio. Mas caso isso ocorra, transferem sua dependência de forma indiscriminada a outra pessoa.

Figuras de apego são basicamente permutáveis: pais, parceiros afetivos, novos parceiros afetivos, filhos, amigos, vizinhos. Vale qualquer presença que não seja a dele mesmo. Uma triste prisão da qual é possível libertar-se com orientação especializada.